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Visando mostrar tudo o que a região dos Lençóis Maranhenses pode proporcionar aos visitantes durante todo o ano, representantes do hotel Vila Aty e da agência Gaivota Eco Tur Hub, localizados na vila de Atins, em Barreirinhas/MA, visitaram nove operadoras de turismo, em São Paulo/SP, para realizar treinamento. Orientações sobre como chegar ao isolado vilarejo de pescadores e o que fazer no local foram alguns dos assuntos abordados na apresentação, que teve como tema “Viva Atins o ano todo”.

“Nessa capacitação conseguimos perceber que mesmo grandes operadoras ainda tinham informações limitadas e muitas dúvidas sobre o destino, principalmente sobre o que fazer em Atins, que tem opções de lazer nos doze meses do ano, não somente na alta temporada”, destacou o empresário Jethro Raposo, um dos sócios do hotel, que participou do treinamento.

Tatiane Miyanaga, que atua no Departamento de Operações de uma das operadoras visitadas, disse que a expectativa era conhecer a estrutura do hotel e da região de Atins, mas o que mais chamou sua atenção foi a variedade de experiências disponíveis no vilarejo. “Foi surpreendente saber que pode ser visitado o ano inteiro e que tem tantas possibilidades de passeios, tanto na alta quanto na baixa temporada”, afirmou.

O sócio Jethro Raposo foi um dos oradores do treinamento voltado às operadoras (Foto: Divulgação/Vila Aty)

A ação ocorreu entre os dias 17 e 20 de fevereiro, e já vem rendendo frutos. “Fechamos alguns grupos por meio das operadoras visitadas e observamos aumento na busca pelo destino”, avaliou o empresário Saulo Prazeres, sócio do grupo que detém o hotel Vila Aty e a agência Gaivota Tur.

Experiências — Por meio da Gaivota Eco Tur Hub, agência de experiências turísticas do hotel Vila Aty, são oferecidas mais de 20 atividades nos Lençóis Maranhenses. A maioria das opções do catálogo da Gaivota pode ser realizada em qualquer época do ano, a exemplo do passeio da Revoada dos Guarás, que permite admirar as majestosas aves ao entardecer, e do Circuito Lagoa Azul e Lagoa Bonita, com paisagens de tirar o fôlego e banho em águas cristalinas.

A empresa fornece ainda transfer entre a capital São Luís e o município de Barreirinhas, com lancha privativa até Atins, e aluguel de quadriciclo para deslocamentos dentro do povoado. Com foco em turismo de experiência, a proposta é promover uma verdadeira imersão na natureza e cultura da região, de maneira individualizada, garantindo conforto e atendendo às necessidades de todas as faixas etárias.

 

Um dos lugares mais lindos do mundo, os Lençóis Maranhenses sempre foram admirados pelas belezas naturais a quem já tinha se disposto a conhecer. Mas, segundo especialistas do setor de turismo, ainda era pouco explorado até o final dos anos 90.

Um estudo denominado 'Turismo e Desenvolvimento Sustentável nos Lençóis Maranhenses', de João Conrado de Amorim Carvalho, indicava que, em 2001, o município de Barreirinhas (que dá acesso aos lençóis) contava com apenas 12 empresas de alojamento e alimentação.

Porém, essa realidade já não é mais a mesma e tem mudado tanto na área do turismo, como também em quem deseja morar na região. Em termos populacionais, os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam um crescimento de 121% em 30 anos.

Dona Dora mora há cinco décadas na região de Atins e confirma o aumento de turistas, nos últimos anos — Foto: Juliana Vieira

"Tenho percebido um aumento no fluxo de pessoas, mais ou menos a partir de 2015, aumentando ainda mais no pós-pandemia. (...) O aumento de turistas aumentou a minha renda, pois antes eu dependia apenas da aposentadoria e agora eu vendo meu artesanato e tenho meu pequeno comércio", conta Doralice Cabral, conhecida como 'Dona Dora', que mora em Atins, na região de Barreirinhas, há mais de cinco décadas.

Dados do Censo do IBGE apontam que Barreirinhas contava em 1991 com 29.640 habitantes. Em 2010, esse número saltou para 54.926, e em 2022 chegou a 65.583 pessoas.

A que se deve esse 'boom' no turismo e moradores?

Moradores, empresários do ramo imobiliário e prestadores de serviços dão várias explicações para o crescimento populacional, mas as principais são a melhoria na infraestrutura viária e os maiores olhares para região proporcionados pelo impulsionamento midiático do governo, famosos e influenciadores digitais.

André Neves, especialista em mercado imobiliário, diz que as melhorias nas estradas, amplificação dos aeroportos regionais e maior conectividade digital facilitaram o acesso aos Lençóis Maranhenses, que também se beneficiaram de um aumento significativo na promoção turística nacional e internacional.

“A partir de 2020, a demanda por empreendimentos sustentáveis e voltados à natureza explodiu. Barreirinhas, Santo Amaro e Atins são hoje o centro das atenções de quem procura segunda moradia ou oportunidades lucrativas de investimento”, destaca Neves.

Dyego Fernandes e André Neves trabalham com venda de imóveis na região dos Lençóis Maranhenses — Foto: Arquivo pessoal

A chancela do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses como Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco, em 2024, e o título de segundo parque natural mais bonito do mundo trouxeram ainda mais visibilidade à região, consolidando também um status de 'destino premium'.

Em 2024, para se ter uma ideia, os Lençóis Maranhenses foram reconhecidos como o principal destino de turismo de luxo para brasileiros, de acordo com o Anuário de Tendências de Luxo, produzido por empresas de consultoria e pesquisa nesse mercado. O parque desbancou Fernando de Noronha, que tradicionalmente liderava as preferências do público de alto poder aquisitivo.

Exuberância dos Lençóis Maranhenses encanta visitantes da Rota das Emoções. — Foto: Acervo Embratur/Sebrae

Celebridades e Turismo de Luxo

A presença de celebridades também reforça o apelo dos Lençóis Maranhenses. Enquanto alguns aproveitam os passeios e fazem questão de postar, outros já chegaram a comprar imóveis na região.

"Personalidades como Nelsinho Piquet e Marcos Regadas investiram em propriedades locais, como a famosa Casa Lençóis, em Santo Amaro (...) "Gisele Bündchen, Giovanna Lancellotti e Max Verstappen estão entre os famosos que visitaram a região recentemente, ajudando a alavancar sua fama internacional", destaca Dyego Fernandes, corretor especializado na venda de imóveis na região dos lençóis.

Esse interesse não se limita às propriedades residenciais. O turismo de luxo floresce com novos hotéis, pousadas exclusivas e empreendimentos voltados para um público de alto padrão, alinhados com princípios de sustentabilidade.

São João da Thay

O festival São João da Thay, realizado no período junino, também é visto como um impulsionador do turismo na região já que, antes do evento, é tradicional que famosos, influencers e ex-bbbs participem de um encontro nos Lençóis.

Na última edição, estiveram presentes os ex-BBBs Beatriz Reis Brasil, Sarah Aline, Lucas Pizane e Marcus Vinicius; os influenciadores digitais Bota Pó, Evelyn Castro, Estevam pelo Mundo e os comediantes Max Peterson e Mila Costa.

Turismo pós-pandemia e projeções futuras

Em relação ao crescimento imobiliário, empreendedores e moradores dizem que o 'boom' se deu principalmente após a pandemia de 2020/2021, quando o isolamento social imposto pela COVID-19 impulsionou a busca por lugares que combinassem qualidade de vida, natureza exuberante e oportunidades de investimento.

Nesse contexto, regiões como Santo Amaro e Atins tornaram-se ícones desse movimento, atraindo desde investidores e celebridades.

"No pós-pandemia, a cada ano percebemos o aumento do fluxo de turistas. A principal temporada de Atins ficava muito concentrada entre junho e agosto, mas temos observado que esse período vem se ampliando. Hoje, para o nosso negócio, consideramos a abertura da temporada em 1º de maio, se estendendo até 15 de outubro", destaca Saulo Prazeres, sócio-administrador de um hotel, em Atins.

Saulo Prazeres (à esquerda) e Jethro Raposo são donos de um hotel em Atins e notaram um aumento no fluxo de turistas após a pandemia — Foto: Juliana Vieira

Segundo especialistas do setor de imóveis, nos últimos cinco anos a região dos Lençóis Maranhenses experimentou uma valorização imobiliária de 120% a 150%, dependendo da localização e do tipo de empreendimento.

Para os próximos anos, a expectativa é de um crescimento anual entre 15% e 20%, como reflexo da alta demanda e da ampliação da infraestrutura.

Efeitos colaterais e preocupações

Apesar do entusiasmo com a valorização imobiliária e aquecimento do turismo, os desafios ambientais viraram uma preocupação. O "Terra Ville Residence", por exemplo, foi alvo de uma ação do Ministério Público Federal (MPF) por construções em áreas sensíveis.

O MPF propôs a suspensão imediata das obras do empreendimento, assim como de sua estrada de acesso, pois estão situados na zona de amortecimento do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, na cidade de Santo Amaro.

MPF pede suspensão de loteamento nos Lençóis Maranhenses, em Santo Amaro, por falhas no licenciamento ambiental — Foto: Divulgação

Segundo o MPF, há problemas no licenciamento ambiental das obras, além de riscos de danos ao ecossistema protegido da região. As obras estão sendo realizadas a apenas 200 metros do campo de dunas dos Lençóis Maranhenses, contrariando a legislação local e federal.

Já o projeto da estrada de acesso ao loteamento, também aprovado pela prefeitura e pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) sem a devida autorização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), possui quase 2 km de extensão, com parte considerável situada sobre a zona de amortecimento, segundo o MPF.

Consta ainda na ação, que o plano de controle ambiental do empreendimento, apresentado à Sema, não menciona a sua grande proximidade com o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses nem que está inserido em sua zona de amortecimento, omitindo, assim, a descrição ambiental de característica relevante.

O MPF aponta ainda que, além dos vícios encontrados no plano, o empreendimento de alto padrão e de grande porte deve ter autorização do ICMBio, responsável pela Unidade de Conservação Federal.

Pedidos

Diante do problema, o MPF pediu à Justiça que determine a imediata suspensão da licença ambiental concedida pela Sema, bem como do alvará de construção e aprovação de loteamento do “Condomínio Terra Ville” pelo município, assim como da estrada de acesso ao empreendimento.

Em consequência, o MPF quer a proibição de qualquer intervenção na estrada ou na área do loteamento, assim como a suspensão da comercialização e publicidade de lotes do empreendimento. O MPF quer ainda que os réus sejam condenados ao pagamento de indenização pelos danos materiais causados, que não possam ser reparados.

Ao g1, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) informou que, "até o momento, não foi citada na ação promovida pelo Ministério Público Federal e ainda não possui conhecimento dos fatos e razões alegados".

Procuradas pelo g1, a Prefeitura de Santo Amaro e a CAT Construções LTDA ainda não se manifestaram sobre a ação movida pelo MPF.

Cuidados e melhorias para o futuro

Tanto para Dyego, quanto para André, é importante que as construtoras respeitem os limites para construções na região dos Lençóis não só para preservar o equilíbrio ambiental, como também para garantir um desenvolvimento saudável da região a longo prazo.

Já os clientes que querem adquirir imóveis precisam ficar atentos aos contratos e detalhes.

"É muito importante que o cliente verifique todas essas documentações antes de adquirir um imóvel na região dos Lençóis, seja pra segunda moradia ou para investimento", finaliza André Neves.

Já o empresário Saulo Prazeres aponta como desafio, também, a própria melhoria qualidade de vida dos moradores da região, já que muitos ainda vivem em condições de pobreza.

"A região ainda precisa de melhorias em questões como saneamento básico, esgoto, lixo e educação para a comunidade. O empresariado tem contribuído bastante nesse sentido, organizando-se em cooperativa e associação, mas os esforços ainda não são suficientes. O poder público precisa levar mais ações para o vilarejo [Atins] para que esse crescimento seja sustentável", aponta.

A chef Ellen Santana, do restaurante Okarú, em Atins, compartilha sua trajetória profissional.

Há 13 anos, a chef Ellen Santana, de 35 anos de idade, vem trabalhando em restaurantes maranhenses de alta gastronomia. Diferente do que se possa imaginar, sua trajetória na cozinha não teve início com o preparo de pratos, mas na limpeza, serviço que ela desempenhou durante o seu primeiro ano de trabalho. Foi assim que ela deu os primeiros passos na carreira de cozinheira, ofício que ela aprendeu na prática.

“Eu não tinha intenção nenhuma de ir para uma cozinha. Quando eu comecei a trabalhar em restaurante, comecei nos Serviços Gerais. Precisei ser curiosa, perguntava quando eu precisava perguntar, parava um pouquinho do que eu tava fazendo na limpeza e organização do restaurante para ir para dentro da cozinha para poder aprender”, conta Ellen.

Santana conta que o chef do restaurante onde trabalhava a ensinava sempre que possível e, no segundo ano, ofereceu a ela a oportunidade de preparar as sobremesas da casa. No terceiro ano, Ellen virou auxiliar de cozinha e, no oitavo ano de sua caminhada, tornou-se sub-chefe.

No ano passado, ela recebeu sua primeira oferta de trabalho para comandar a cozinha de um restaurante na capital São Luís. Este ano, sua experiência e talento a levaram à região turística dos Lençóis Maranhenses, onde é chef do Okarú, restaurante com cozinha contemporânea e regional no vilarejo Atins.

Apesar dos desafios inerentes à função de coordenar uma equipe, o prazer de fazer o que gosta faz toda a diferença no dia a dia do trabalho. “A cozinha é como se fosse um parque de diversões, onde a gente se diverte e também pode compartilhar aquela alegria com as outras pessoas que estão ao redor”, diz a chef.

Além de estrangeiras e das que moram em outros estados, maranhenses também desfrutam dos atrativos que seu estado oferece.

Turistas do gênero feminino foram responsáveis por mais de 50% das visitas a destinos turísticos maranhenses de março a dezembro de 2022, apontam relatórios do Observatório do Turismo do Maranhão. Os dados são dos Centros de Atendimento ao Turista, que fornecem importantes indicadores para traçar o perfil geral dos visitantes.

Além de mulheres oriundas de outros países e estados brasileiros, as maranhenses também desfrutaram dos atrativos que o estado oferece. No ano passado, a analista de dados Léia Cardoso, que mora na capital São Luís, conheceu Alcântara, Santo Amaro e o povoado Atins (em Barreirinhas/MA), vilarejo que ela destacou como um bom lugar para conhecer pessoas novas e interagir. “Você pode ir sozinha que vai acabar conhecendo uma galera na viagem e vai ser divertido”, afirma Léia.

Para a analista de dados, que, desde o ano passado, costuma viajar sozinha, um dos pontos de atenção na hora de planejar uma viagem é a segurança. Sobre esse aspecto, Léia conta como foi a experiência em Atins na companhia de uma amiga: “Nós achamos bem seguro e as pessoas são extremamente receptivas. É um lugar que recebe muitos turistas, então os moradores de lá já têm um comportamento diferente com os turistas”.

No ano passado, a maranhense Léia Cardoso conheceu o povoado Atins, na região dos Lençóis Maranhenses | Foto: Arquivo pessoal

 

Atins possui localização estratégica para visita às dunas e lagoas dos Lençóis Maranhenses | Foto: Vila Aty/Brian Baldrati

 

Atins é um dos melhores destinos turísticos do Maranhão e do Brasil para a prática de kitesurf | Foto: Vila Aty/Caio Florentino

De acordo com Jethro Raposo, sócio do Vila Aty Eco Lodge, acomodação localizada no vilarejo, as mulheres representaram quase 57% dos hóspedes do hotel em 2022 em comparação ao público do sexo masculino.

“Elas são maioria por aqui. Costumam gostar dos passeios, de fazer piquenique na área verde do hotel e nas dunas, e do serviço de massagem relaxante. Também procuram muito pelo serviço de fotografia, então indicamos fotógrafos locais para que elas possam fazer belas imagens dentro e fora do hotel”, conta Jethro.

Ventos fortes e constantes tornaram o sossegado vilarejo Atins, povoado de Barreirinhas (MA), em uma excelente opção para a prática do kitesurf. O local é mundialmente reconhecido como um dos melhores destinos brasileiros para a atividade, que utiliza prancha e uma grande pipa (ou kite) para velejar. O que alguns ainda não sabem é que suas águas rasas e tranquilas fazem dele o lugar ideal também para quem deseja iniciar no esporte, seja na água salgada ou doce.

“A nossa praia é uma lagoa do mar, é um braço de mar”, explica Renato Cortez, instrutor de kitesurf, sobre o extenso trecho da praia de Atins na foz do rio Preguiças. Por conta disso, há poucas ondulações, tornando o aprendizado mais fácil. “Onda empurra o aluno, cobre a prancha. É por isso que aqui é um dos melhores picos do Brasil para se aprender kite“, afirma.

No vilarejo há várias escolas de kitesurf que oferecem curso para iniciantes. Foto: Leo Castro/Vila Aty.

Também é possível velejar em uma das lagoas do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses que ficam próximas ao vilarejo. Essa característica foi, inclusive, um dos principais motivos que levaram o paulista Renato a abrir uma escola de kitesurf na vila. “Temos as lagoas, que é uma coisa diferente, é um diferencial. Estamos aqui nos Lençóis Maranheses, onde as lagoas são próximas ao mar”, conta Cortez.

Há, no entanto, algumas distinções entre velejar no braço de mar e nas lagoas do Parque, que vão além da diferença de salinidade da água e de cenário. O instrutor Mailton Silva ressalta que não há onda nenhuma nas lagoas, um aspecto muito positivo para quem está aprendendo, mas o vento é rajado por conta da presença de dunas altas — diferente da praia de Atins, onde o vento é mais constante, sendo melhor para a prática.

“Imagina uma bacia: não é o mesmo vento dentro da bacia e fora da bacia, o vento passa por cima”, exemplifica Mailton, que nasceu em Atins e é responsável por uma escola de kitesurf na localidade. Assim, as pipas podem precisar ficar mais altas durante o velejo na lagoa.

Velejar em lagoa dos Lençóis Maranhenses é uma experiência ímpar na região. Foto: Divulgação/Vila Aty.

Cayo Shimuk, cearense que mora no povoado há seis anos e, nos últimos cinco, tornou-se instrutor de kitesurf, prefere praticar na praia de Atins, considerando o vento e o fato de haver mais espaço do que nas lagoas do Parque. “No Nordeste, aqui [na praia de Atins] é um dos melhores lugares para aprender a velejar”, avalia. Mas conta que muitos turistas têm predileção pelas lagoas por conta da coloração da água e da exuberância da paisagem. “Os dois lugares são incríveis”, complementa.

Segundo Mailton, em julho, quando os ventos começam a ficar mais fortes, o destino recebe mais kitesurfistas brasileiros. Em agosto e setembro, os velejadores estrangeiros lotam as águas. Em geral, paulistas, mineiros e fluminenses são o principal público, conta Cayo.

Diferente do surfe, que precisa de ondas e de um preparo físico maior, o kitesurf exige apenas boas condições de saúde e disposição, e pode ser praticado por adultos, idosos e até mesmo crianças. “Temos pipa para isso. Temos equipamento para qualquer idade”, esclarece Silva.

De julho a dezembro, kitesurfistas colorem o céu da praia de Atins com suas pipas. Foto: Leo Castro/Vila Aty.

As escolas de kitesurf da região oferecem curso com dez horas de duração para iniciantes, e fornecem os equipamentos necessários, incluindo os de segurança. As aulas começam na areia, onde o aluno conhece as bases do esporte. Depois, segue para o controle da pipa dentro da água em área rasa. Por último, o aprendiz une o kite à prancha, sendo acompanhado pelo professor via rádio comunicador.

“A galera chega à prancha por volta da quarta hora, normalmente, e aí é só alegria, é o que todo mundo quer: velejar. É um esporte em que você se sente livre”, diz Shimuk. Quem conclui o curso está preparado para velejar, mas não de maneira independente. “Tem que continuar fazendo mais aulas para se tornar independente”, recomenda o instrutor.

Controlar a pipa é uma das etapas de aprendizado antes de partir para a prancha. Foto: Leo Castro/Vila Aty.

Os maranhenses Saulo Prazeres, de 40 anos de idade, e Jethro Raposo, de 39, praticam kitesurf há 13 e 7 anos, respectivamente. Saulo conheceu Atins em 2009, durante velejo que partiu de Tutoia (MA), e Jethro teve seu primeiro contato com a vila em 2016. Eles gostaram tanto do povoado que decidiram construir uma casa no local juntamente com outros amigos velejadores.

E o lazer virou negócio quando resolveram transformar o imóvel no hotel Vila Aty, em atividade há quase três anos. “O empreendimento começou por causa do kitesurf. Queríamos ter uma lugar perto da praia onde nos sentíssemos em casa sempre que estivéssemos em Atins velejando. E é essa a sensação que tentamos transmitir aos hóspedes do hotel: de estar em casa”, relata Saulo.

Conhecedor da região e do esporte, o empresário recomenda a prática do kitesurf nos meses de julho a dezembro, período em que os ventos estão mais fortes. “O ponto alto é entre setembro e novembro”, destaca.

O maranhese Saulo Prazeres conheceu o povoado por causa do kitesurf. Foto: Caio Florentino/Vila Aty.

Vilarejo

Atins possui localização estratégica para conhecer o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, pois fica situado a apenas 2,5 km do início das dunas e lagoas do Parque. A calmaria e rusticidade de suas ruas de areia convidam à contemplação da natureza, atraindo turistas de várias partes do país e do mundo.

O destino agrada tanto a quem deseja um lugar mais tranquilo para descansar quanto aos amantes do turismo de aventura. O Canto dos Lençóis, também conhecido como Canto do Atins, reúne algumas das mais belas lagoas da região que proporcionam banhos relaxantes, como a Lagoa Tropical e a Lagoa das Sete Mulheres. Também é possível praticar esportes como kitesurf, wakeboard, caiaque e stand up paddle.

O acesso a esse vilarejo de natureza preservada pode ser feito por terra — em veículo 4×4 percorrendo trilhas de areia — ou pelo rio Preguiças, em barco ou lancha, todos partindo do centro de Barreirinhas.

O turismo sustentável é uma tendência que veio para ficar. Em um cenário de recuperação pós-pandemia, o setor busca se diferenciar e atender às demandas dos viajantes conscientes, que valorizam a proteção e a conservação do meio ambiente. Segundo Carlos Werneck, presidente-executivo do Visit Rio Convention Bureau, essa é uma pauta prioritária para o segmento, que reconhece a responsabilidade com o planeta e as gerações futuras.

"Além de ser uma questão ética, o turismo sustentável também é uma oportunidade de negócio. As empresas que adotam esses princípios são mais rentáveis, inovadoras e produtivas" - justifica Claudia Coser, CEO da startup Nobis, especializada em soluções da Agenda ESG (Ambiental, Social e Governança).

O faturamento começa a dar a volta por cima após a pandemia que devastou o segmento. E o Brasil comprova essa dinâmica: no primeiro quadrimestre deste ano, foram movimentados R$ 73 bilhões, o maior patamar desde 2015. Os serviços de transporte aéreo, hospedagem e alimentação foram os principais responsáveis por esse resultado.

Pós-Covid-19

No entanto, após o trauma da pandemia, as pessoas ficaram mais conscientes e zelosas com o meio ambiente. Passou a ser um dos quesitos prioritários em suas escolhas roteiros que não impactem a natureza. O trade turístico busca atender às demandas sustentáveis dos viajantes reconhecendo sua a responsabilidade com o planeta e as gerações futuras.
"O turismo tem o potencial de colaborar com a proteção e a conservação do meio ambiente e nós, do Convention Bureau, colocamos essa pauta como prioritária na nossa agenda, pois avaliamos que é fundamental reconhecer a responsabilidade que temos em relação ao estado do nosso planeta e às gerações futuras" explica Carlos Werneck - presidente-executivo do Visit Rio.
Há uma escassez de opções no mercado para atender à crescente demanda dos clientes mais responsáveis. Segundo a plataforma de viagens Booking, 80% dos viajantes globais se queixam pouca diversidade sendo que 51% consideram em quantidade insuficiente.

Vencendo obstáculos

Esse processo de adaptação é profundamente desafiador. Isso porque o turismo é suscetível a várias outras influências externas, como: flutuações cambiais, oscilação no valor dos combustíveis, questões diplomáticas, violência, percepções negativas e condições climáticas adversas, entre elas o aquecimento do planeta.

De acordo com o 12º Estudo de CEOs do Pacto Global da ONU, 93% dos líderes empresariais de 128 países listaram mais de dez obstáculos que enfrentam a engrenagem atual rumo ao processo de ajuste  sustentável.
Rio de Janeiro
Apesar das dificuldades, é preciso se adequar urgentemente a essa nova exigência por uma questão de sobrevivência do setor. O Rio de Janeiro é um exemplo disso. O portão de entrada do estrangeiro no Brasil não pode ficar deitado em berço esplêndido eternamente graças a sua geografia privilegiada entre o mar e a montanha e por abrigar as florestas de Pedra Branca e da Tijuca. Isso apenas não basta para o consumidor atual.
"O turismo sustentável está crescendo cada vez mais e o estado do Rio vem acompanhando esse desenvolvimento e se envolvendo em várias ações mais conscientes. Nós estamos trabalhando em projetos, viabilizando ações futuras a fim de fomentar cada vez mais no Estado. É de suma relevância entendermos que temos que preservar a parte cultural, social e ambiental dos destino, ressaltando os atrativos e diferenciais de cada localidade com respeito e responsabilidade."- argumenta Guilherme Abreu - presidente do Bureau de Turismo do Estado do Rio de Janeiro.
Já Carlos Werneck, do Visit Rio explica que estão sendo incluídas contrapartidas sustentáveis e inovadoras nos processos de candidatura do Rio como sede de grandes eventos nacionais e internacionais.
"Estamos desenvolvendo um trabalho de sensibilização com nossos associados e parceiros neste sentido"
Luta rumo ao Patrimônio da Humanidade
Um caso emblemático é o do Hotel Vila Aty, localizado no vilarejo de Atins, no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Embora a região esteja na corrida para obter o título de Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO, os empreendimentos locais enfrentam desafios estruturais e logísticos que dificultam a implementação de medidas sustentáveis.
"Serviços básicos, como coleta seletiva, ainda não são providos pelas autoridades competentes. Mesmo assim, o hotel já conseguiu introduzir torneiras de fluxo reduzido, uma mini estação de tratamento de esgoto que purifica a água antes de devolvê-la à natureza, lâmpadas eficientes e painéis solares" explica o administrador Saulo Prazeres.
Ainda segundo o executivo, outro problema sentido é a falta de preparação de uma mão-de-obra qualificada na região, mas que procura compensar impulsionando a economia local ao priorizar compras de produtores da área.
Não resta a menor dúvida de que é preciso um esforço conjunto envolvendo a sociedade, o trade turístico e governantes para que o Turismo Ambiental possa vencer todas as dificuldades e desenvolver as potencialidade naturais existentes no Brasil.
“Precisamos nos unir para que juntos, órgãos públicos e privados, possamos elaborar políticas que garantam a preservação do nosso planeta"- finaliza Werneck.
Essas histórias ilustram que apesar de existir um longo percurso ainda para se caminhar, o desafio é urgente. Isso porque a adoção de práticas sustentáveis é muito mais do que uma tendência passageira dos turistas. Portanto, a capacidade de se adaptar será crucial para a sobrevivência do setor diante da forte concorrência mundial, a interconexões globais e da crescente consciência ambiental.

Em uma postagem recente, o Portal Terra contou um pouco sobre um dos destinos mais badalados do Brasil, os Lençóis Maranhenses.

Na publicação, a Vila Aty foi mencionada com uma das melhores hospedagens para se ter uma melhor experiência neste lugar paradisíaco.

Confira: 8 segredos do destino dos famosos no Brasil; confira (terra.com.br)

Uma viagem a dois pode ajudar a alimentar o amor? Silmara Victal, que visitou o Maranhão este mês para comemorar seus 29 anos de casada, afirma que sim. “Todo ano fazemos uma viagem onde celebramos nossa união. Sempre acreditei que todo casal deva celebrar em um local longe de toda a rotina para manter e nutrir essa conexão”, defende.

O tempo de matrimônio de Silmara é mais do que o dobro da média nacional. De acordo com o levantamento mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre casamentos e divórcios no país, divulgado em fevereiro deste ano, o tempo médio de duração de casamentos foi de 13 anos em 2021.

Silmara e o marido, Marcos Teixeira, são de São Paulo e estiveram no Maranhão pela primeira vez. O itinerário da viagem contemplou a capital São Luís, a região mais central de Barreirinhas e o povoado Atins, destino onde decidiram investir um pouco mais de tempo por indicação de amigos.

Marcos e Silmara, turistas de São Paulo, celebraram bodas de erva nos Lençóis Maranhenses (Foto: Arquivo Pessoal)

“Nos surpreendeu ter encontrado hotéis bem estruturados e restaurantes bem charmosos de uma culinária muito saborosa e elaborada. Voltaríamos com certeza e até com meus filhos”, comenta a paulista sobre o vilarejo.

Atins é um lugar muito procurado por casais. Segundo dados obtidos através do Booking, uma das principais plataformas de reserva de hospedagens do mundo, mais de 60% das pessoas que buscam por hospedagem no vilarejo planejam viajar em casal.

Saulo Prazeres, sócio-administrador do hotel Vila Aty, que recebe casais e famílias em Atins, destaca alguns hábitos de consumo desse público.

“Além de visitar os Lençóis Maranhenses, curtir a praia de Atins e ter momentos de esporte e lazer na região, casais também procuram por uma boa infraestrutura hoteleira para usufruir de dias de descanso. Eles desejam experiências personalizadas, bom atendimento e boa culinária. Alguns exemplos de experiências procuradas por esse público são o pôr do sol nas dunas, jantares especiais e serviço de recepção romântica no quarto”, conta o empresário.

Silmara, com a bagagem de quem já celebra o relacionamento viajando há quase 30 anos, opina sobre o que não pode faltar em uma viagem de comemoração das bodas de casamento:

“Sossego e conforto. Não buscamos luxo, mas gostamos de lugares charmosos, que permitem que tenhamos contato direto com a natureza, e, ao mesmo tempo, os recursos necessários para aproveitá-los”.

Bodas

Não apenas grandes marcos, como 25 ou 50 anos de matrimônio, possuem designação específica — nos casos citados, seriam bodas de prata e de ouro, respectivamente. Cada ano da união também tem o seu próprio nome. Silmara, por exemplo, comemorou bodas de erva.

Confira abaixo lista de bodas de casamento que vai de um ano até um século de matrimônio, segundo a revista iCasei.

1 ano de casados – Bodas de Papel
2 anos de casados – Bodas de Algodão
3 anos de casados – Bodas de Couro ou Trigo
4 anos de casados – Bodas de Flores ou Frutas
5 anos de casados – Bodas de Madeira ou Ferro
6 anos de casados – Bodas de Açúcar ou Perfume
7 anos de casados – Bodas de Latão ou Lã
8 anos de casados – Bodas de Barro ou Papoula
9 anos de casados – Bodas de Cerâmica ou Vime
10 anos de casados – Bodas de Estanho ou Zinco
11 anos de casados– Bodas de Aço
12 anos de casados – Bodas de Seda ou Ônix
13 anos de casados – Bodas de Linho ou Renda
14 anos de casados – Bodas de Marfim
15 anos de casados – Bodas de Cristal
16 anos de casados – Bodas de Safira ou Turmalina
17 anos de casados – Bodas de Rosa
18 anos de casados – Bodas de Turquesa
19 anos de casados – Bodas de Cretone ou Água Marinha
20 anos de casados – Bodas de Porcelana
21 anos de casados – Bodas de Zircão
22 anos de casados – Bodas de Louça
23 anos de casados – Bodas de Palha
24 anos de casados – Bodas de Opala
25 anos de casados – Bodas de Prata
26 anos de casados – Bodas de Alexandrita
27 anos de casados – Bodas de Crisoprázio
28 anos de casados – Bodas de Hematita
29 anos de casados – Bodas de Erva
30 anos de casados – Bodas de Pérola
31 anos de casados – Bodas de Nácar
32 anos de casados – Bodas de Pinho
33 anos de casados – Bodas de Crizo
34 anos de casados – Bodas de Oliveira
35 anos de casados – Bodas de Coral
36 anos de casados – Bodas de Cedro
37 anos de casados – Bodas de Aventurina
38 anos de casados – Bodas de Carvalho
39 anos de casados – Bodas de Mármore
40 anos de casados – Bodas de Esmeralda
41 anos de casados – Bodas de Seda
42 anos de casados – Bodas de Prata Dourada
43 anos de casados – Bodas de Azeviche
44 anos de casados – Bodas de Carbonato
45 anos de casados – Bodas de Rubi
46 anos de casados – Bodas de Alabastro
47 anos de casados – Bodas de Jaspe
48 anos de casados – Bodas de Granito
49 anos de casados – Bodas de Heliotrópio
50 anos de casados – Bodas de Ouro
51 anos de casados – Bodas de Bronze
52 anos de casados – Bodas de Argila
53 anos de casados – Bodas de Antimônio
54 anos de casados – Bodas de Níquel
55 anos de casados – Bodas de Ametista
56 anos de casados – Bodas de Malaquita
57 anos de casados – Bodas de Lápis Lázuli
58 anos de casados – Bodas de Vidro
59 anos de casados – Bodas de Cereja
60 anos de casados – Bodas de Diamante ou de Jade
61 anos de casados – Bodas de Cobre
62 anos de casados – Bodas de Alecrim ou de Telurita
63 anos de casados – Bodas de Sândalo ou de Lilás
64 anos de casados – Bodas de Fabulita
65 anos de casados – Bodas de Pérola Negra
66 anos de casados – Bodas de Ébano
67 anos de casados – Bodas de Neve
68 anos de casados – Bodas de Chumbo
69 anos de casados – Bodas de Mercúrio
70 anos de casados – Bodas de Vinho
71 anos de casados – Bodas de Zinco
72 anos de casados – Bodas de Aveia
73 anos de casados – Bodas de Manjerona
74 anos de casados – Bodas de Macieira
75 anos de casados – Bodas de Brilhante ou Alabastro
76 anos de casados – Bodas de Cipestre
77 anos de casados – Bodas de Alfazema
78 anos de casados – Bodas de Benjoim
79 anos de casados – Bodas de Café
80 anos de casados – Bodas de Nogueira ou Carvalho
81 anos de casados – Bodas de Cacau
82 anos de casados – Bodas de Cravo
83 anos de casados – Bodas de Begônia
84 anos de casados – Bodas de Crisântemo
85 anos de casados – Bodas de Girassol
86 anos de casados – Bodas de Hortênsia
87 anos de casados – Bodas de Nogueira
88 anos de casados – Bodas de Pêra
89 anos de casados – Bodas de Figueira
90 anos de casados – Bodas de Álamo
91 anos de casados – Bodas de Pinheiro
92 anos de casados – Bodas de Salgueiro
93 anos de casados – Bodas de Imbuia
94 anos de casados – Bodas de Palmeira
95 anos de casados – Bodas de Sândalo
96 anos de casados – Bodas de Oliveira
97 anos de casados – Bodas de Abeto
98 anos de casados – Bodas de Pinheiro
99 anos de casados – Bodas de Salgueiro
100 anos de casados – Bodas de Jequitibá

Neste mês de maio, comemoramos o Dia Internacional da Família (15), data que joga luz sobre a importância de cultivar o relacionamento entre os integrantes de uma família, independentemente de sua configuração. E uma maneira divertida de fazer isso é realizar uma viagem em família.

Em novembro, Kadi visitou o Parque Nacional com o marido e o filho, onde conseguiram desfrutar do banho nas lagoas – Foto: Arquivo Pessoal

De acordo com a psicóloga Josane Lima, especialista em terapia analítico-comportamental infantil, viver novas aventuras em um local diferente pode favorecer a construção de boas memórias e contribuir para reforçar a conexão entre pais e filhos.

“Famílias que viajam fortalecem seu vínculo e o senso de pertencimento dos pequenos, apresentando o lar como algo que transcende os espaços físicos de convívio”, esclarece.

A experiência tende a gerar desejo e medo nos pais, pois a imprevisibilidade na rotina fora de um ambiente conhecido costuma trazer desafios próprios, comenta Josane. No entanto, esses desafios podem trazer muitos benefícios para as crianças.

“Viajar com os filhos pode ajudá-los a desenvolver uma série de repertórios de novos comportamentos, indo desde o planejamento com ajuda dos pequenos para passeios e afins, passando pela lida com pessoas e vivências novas, desenvolvendo o comportamento exploratório e a criatividade, a autonomia para cuidados do dia a dia que fogem das possibiliddes dos pais, até a habilidade de resolução de pequenos problemas”, explica a psicóloga.

Mesmo as ocasiões em que as coisas não ocorrem como o planejado criam oportunidades de aprendizado. “Pode ser importante para desenvolver a tolerância à frustração”, acrescenta.

Kadi participou de piquenique nas dunas dos Lençóis Maranhenses com sua família e amigos – Foto: Arquivo Pessoal

A estoniana Kadi Pretyman, que vive no Brasil desde 2011, é mãe de um garotinho de dois anos de idade e observa esses ganhos na prática. “É uma experiência incrível para a família, aproxima muito, a criança desenvolve muito durante as viagens, elas aprendem tanto. Acho que é muito enriquecedor viajar com criança, realmente”, avalia.

Ela conta que, antes de o filho nascer, viajava mais e admite que hoje a experiência é diferente, já que a maior parte das viagens que ela realiza atualmente são pensadas para incluir o filho. Para isso, ela pesquisa sobre o destino e os passeios que podem ser feitos com a criança, e leva consigo medicamentos e outros itens que podem ser necessários para o pequeno.

No entanto, nem tudo são flores. Mesmo com todo o planejamento, também há dificuldades. “Na viagem, a gente costuma ficar em um quarto de hotel, um lugar menor, então é sempre um ajuste, fica tudo mais intenso. Mas é muito agradável também ter esses momentos diferentes com as crianças”, ressalta a estoniana.

E, com o tempo, a experiência de viajar em família vai se tornando mais fácil, é o que relata Kadi. “No início, eu ficava apavorada de pegar um voo diurno com o meu filho para o outro lado mundo, para a Europa. Mas tudo passa e sempre tem alguma maneira de contornar esses momentos difícieis”, garante.

Aventura em família nos Lençóis Maranhenses

Em novembro do ano passado, a família de Kadi visitou o vilarejo Atins, localizado no município Barreirinhas (MA), com a família e mais outro casal que tem uma filha pequena. Segundo a estoniana, todos conseguiram aproveitar muito a viagem e as crianças participaram de quase todas as atividades com os adultos.

“Eu acho que Atins é maravilhoso para crianças! Um charme estes bichinhos todos andando soltos lá, burros, vacas, galinhas, pintinhos. As crianças ficaram loucas com tudo isso! A praia é muito boa, porque a água é rasa, não tem onda”, detalha.

Kadi também comenta a experiência de conhecer as famosas lagoas dos Lençóis Maranhenses: “As crianças adoraram! As lagoas foram um grande sucesso”.

De acordo com Saulo Prazeres, sócio-administrador do Vila Aty, hotel situado em Atins, o passeio às lagoas é permitido para bebês que tenham a partir de seis meses de idade.

Partindo do Atins, o trajeto até as primeiras lagoas do circuito leva entre 15 a 20 minutos em veículo 4×4 – Foto: Divulgação/Vila Aty

“A distância entre o vilarejo de Atins e o início das lagoas do Parque Nacional é de aproximadamente 15 a 20 minutos de carro. O caminho exige carro 4×4, mas um bom motorista garantirá o melhor percurso. Ao chegar nas lagoas e dunas, podem ocorrer ventos fortes e muito sol, por isso recomendamos proteção. No mais, é só tranquilidade”, orienta o empresário.

Outra dica compartilhada por Saulo para quem quer ir a Atins com criança é quanto ao meio de transporte escolhido para chegar ao vilarejo. “A partir da região mais central de Barreirinhas, o trajeto até o povoado pode ser realizado em lancha ou em veículo 4×4, mas a nossa recomendação é optar pela lancha. O percurso de lancha dura menos tempo, em torno de uma hora, e tende a ser com águas calmas”, diz.

Um levantamento divulgado pelo Observatório do Turismo do Maranhão mostrou o sucesso do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses entre usuários do Instagram, rede social de compartilhamento de fotos e vídeos.

De acordo com o Boletim do Turismo referente ao primeiro trimestre de 2023, os Lençóis e outros dois atrativos maranhenses com paisagem alcançaram, juntos, o percentual mais alto de publicações realizadas nos meses de janeiro a março na plataforma, utilizando os marcadores #maranhãodeencantos, #meumaranhao e #materradeencantos.

A gaúcha Bertha Anziliero, que aproveitou o feriado do Dia do Trabalho para conhecer o Parque Nacional com o namorado e amigos em uma viagem de seis dias, é só elogios ao destino. "Lugar mais lindo que já conheci! Em questão de beleza natural, nunca vi nada igual", avalia a turista.

A expectativa para ver de perto as dunas e lagoas dos Lençóis era alta, e a experiência não decepcionou. "Não choveu nem um dia e as lagoas estavam cheias. Foi perfeito! Água limpa e quente", detalha.

Ainda segundo o documento produzido pelo Observatório, as localidades que mais apareceram na pesquisa foram Barreirinhas, a capital São Luís — com o Centro Histórico e a Praia do Calhau — e o vilarejo Atins, que figura na listagem pela primeira vez desde que o boletim passou a ser publicado, no início do ano passado.

O povoado, situado no município Barreirinhas, é uma das principais portas de entrada para os Lençóis Maranhenses, e foi a escolha do paulista Dante Mazzoco para explorar a região pela primeira vez ao lado da esposa, durante o último feriado. "Um amigo nosso se hospedou em Atins e disse que era mais afastado, mais roots e autêntico", conta.

Atins também pode ser uma boa escolha para quem deseja ficar mais perto do Parque. "O vilarejo possui localização estratégica para conhecer os Lençóis, ficando a apenas 2,5 km de distância do início das dunas e lagoas", esclarece Saulo Prazeres, sócio-administrador do Vila Aty Lodge, hospedagem situada no povoado.

A partir de Atins, Dante visitou a Lagoa Bonita, a Lagoa Azul e também o Canto de Atins. Sobre o destino turístico, ele resume: "Lugar incrível que mistura praias, selva, dunas e lagoas. É muito impressionante a mistura de natureza que existe nesse lugar".

Já a mineira Michele Silva, que também escolheu Atins como base, optou por desbravar a região de uma maneira diferente. O que motivou a viagem foi realizar um trekking pelo Parque Nacional dos Lençóis, que permite conhecer lagoas que só são visitadas durante a caminhada.

"As lagoas são maravilhosas, cada uma com suas belezas. Adorei vir em maio, na baixa temporada. Não peguei nenhum dia de chuva e a minha viagem foi perfeita", afirma a turista.

O empresário Saulo Prazeres também recomenda o trekking em meio às dunas, mas alerta para a necessidade de o percurso ser realizado sob a supervisão de guias.

"É uma das travessias mais deslumbrantes e únicas da América do Sul. O roteiro mínimo é de três dias de caminhada, podendo se estender a até dez dias caso os viajantes queiram uma aventura mais longa, e precisa contar com o suporte de pessoas habilitadas para isso. No trajeto, os visitantes podem dormir em redários na casa de habitantes que moram nos Lençóis", explica Prazeres.

Lençóis

Com 155 mil hectares, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses é um dos destinos turísticos mais singulares do país. O lugar é apontado pelo The New York Times, um dos jornais mais reconhecidos do mundo, como um dos 52 destinos para conhecer em 2023, integrando uma lista seleta que contemplou apenas duas localidades brasileiras. Aparecendo na 11ª posição, ele é descrito pelo periódico como "antídoto contra a sensação claustrofóbica da era Covid".

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